Eleison
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Sobre o Eleison

Uma história de afastamento, busca e reencontro com a misericórdia de Deus.

Como tudo começou

Fui ateu por mais de 30 anos. Tive uma criação católica, fiz minha Primeira Comunhão, mas não encontrei, naquela época, razões que me convencessem da fé católica — nem de qualquer outra religião. As explicações que recebia não respondiam às minhas perguntas, e acabei me afastando da Igreja.

Durante parte da minha busca, encontrei no budismo uma tradição que me agradava intelectualmente. Estudei diferentes formas de budismo e procurei nelas as respostas espirituais de que precisava. Havia muito ali que me interessava, mas eu não me sentia plenamente preenchido e não conseguia acreditar em sua doutrina como imaginava que deveria acreditar. Aos poucos, afastei-me também dessa tradição e de toda forma de religião.

Entreguei-me ao materialismo e ao niilismo. Acreditava que a ciência, sozinha, poderia oferecer todas as respostas de que precisava. Minha visão de mundo era bastante sólida: entendia a origem do universo, a formação dos planetas, o surgimento da vida e a evolução como processos naturais nos quais o acaso desempenhava um papel fundamental. Por muito tempo, essa maneira de enxergar a realidade pareceu suficiente.

Até que deixou de ser.

Comecei a sentir um vazio e uma necessidade espiritual diferente. Não era simplesmente vontade de voltar a uma religião conhecida, mas o desejo de investigar novamente as grandes perguntas da existência.

Voltei a estudar o budismo. Depois, passei a ler sobre os fundadores e grandes nomes do islã, e fiquei fascinado pelo que descobria. Foi então que me fiz uma pergunta bastante natural: por que não estudar também a religião da minha própria família, o catolicismo?

Redescobrindo a fé

Comecei a ler a Bíblia ainda como ateu e a frequentar algumas missas. Passei a acompanhar conteúdos de influenciadores católicos e, nessa busca, encontrei o aplicativo Hallow.

Ali conheci a série Catecismo Diário, narrada pelo Padre Pedro Willemsens. Buscando aprofundar o que aprendia, cheguei ao podcast Católicos Querem Saber, que me ajudou a compreender questões da doutrina católica de maneira direta, acessível e intelectualmente honesta.

Eu havia feito catequese nos anos 1990, mas aquela experiência não me cativou nem me aproximou da Igreja. Pelo contrário, contribuíra para o meu afastamento. Agora, encontrava uma abordagem diferente: mais intelectual, objetiva e capaz de dialogar com perguntas que eu carregava havia décadas.

Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava apenas olhando para o catolicismo como parte da história da minha família. Estava tentando compreendê-lo por mim mesmo.

Também comecei a conhecer melhor a vida dos santos. Quatro deles passaram a ter um significado especial na minha caminhada.

São Francisco de Assis me tocou por sua simplicidade, pelo respeito à Criação, pela contemplação da natureza e pela radicalidade com que procurou viver o Evangelho.

São Domingos de Gusmão ganhou um lugar especial por outro motivo: nasci em 8 de agosto, dia em que celebramos sua memória litúrgica. Sua busca pela santidade, marcada pelo estudo, pela pregação e pela dedicação à verdade, também me falou de perto.

Santo Agostinho me mostrou um caminho de conversão que dialogava profundamente com a minha própria história. Sua vida de busca intelectual, suas perguntas sobre a existência e sua passagem de uma longa procura até o encontro com o cristianismo me fizeram perceber que a inquietação intelectual não precisava ser inimiga da fé. Ela também poderia fazer parte do caminho até Deus.

São Carlo Acutis, por sua vez, me aproximou de uma santidade vivida no mundo contemporâneo. Ele conheceu uma cultura muito próxima daquela em que cresci e na qual continuo vivendo. Seu exemplo me inspirou especialmente pela maneira como utilizou a tecnologia a serviço da fé, inclusive ao organizar informações sobre milagres eucarísticos.

Cada um, à sua maneira, parecia iluminar uma parte diferente da minha história.

O encontro com a misericórdia

Até então, muitos dos conteúdos que eu consumia me ajudavam a compreender intelectualmente a Igreja. Eu aprendia, questionava, comparava argumentos e encontrava respostas para dúvidas antigas.

Mas faltava algo que não poderia ser resolvido apenas pelo estudo.

Um dia, decidi me confessar na Paróquia São Luís Gonzaga, na Avenida Paulista.

Contei minha história ao sacerdote: meu afastamento da Igreja, meu retorno, minhas buscas e aquilo que, à luz do que estava aprendendo, eu passara a reconhecer como pecado em minha vida. Confesso que esperava um sermão. Talvez imaginasse que precisaria ouvir uma longa lista de repreensões pelo tempo que havia passado longe da fé.

O que encontrei foi o perdão, o acolhimento, a paz, a esperança e a possibilidade de recomeçar.

Pela graça de Deus, senti que estava sendo reconduzido ao meu lugar: o de cristão católico.

A partir dali, criei o hábito de me confessar mensalmente. E, a cada celebração desse sacramento, continuo descobrindo algo novo sobre a misericórdia e a bondade de Deus. É uma experiência que me toca profundamente e que renova em mim o desejo de viver melhor.

Hoje, consigo reconhecer que muitos dos valores que carrego vieram também da minha criação e dos exemplos de santidade que tive na família. Eu havia recebido muito mais do que percebia. Durante anos, não enxerguei plenamente as raízes daqueles valores nem a herança espiritual que me havia sido transmitida.

Os estudos me ajudaram a entender a Igreja. O Sacramento da Confissão me fez experimentar essa fé de uma maneira que o estudo, sozinho, não poderia proporcionar.

Foi como descobrir as portas de um mundo que, apesar de fazer parte da minha história desde a infância, eu nunca havia conhecido verdadeiramente.

Por que criei o Eleison

Mesmo depois do meu reencontro com a Igreja, percebi que ainda enfrentava dificuldades práticas para me preparar para a Confissão e encontrar lugares e horários em que pudesse receber o sacramento. Foi dessa necessidade pessoal que nasceu a ideia de criar uma ferramenta de ajuda.

Inspirado pelo exemplo de São Carlo Acutis, que utilizou os recursos de seu tempo para catalogar e divulgar informações sobre milagres eucarísticos, comecei a pensar em como poderia empregar as ferramentas que tenho à disposição — a tecnologia, a internet e a inteligência artificial — para apoiar outras pessoas em sua caminhada de fé. Acredito que o progresso tecnológico deve estar a serviço do bem comum e das necessidades reais do ser humano, inclusive quando o propósito é favorecer a vida espiritual.

O projeto nasceu originalmente batizado como Caminho de Reconciliação. Com o tempo, percebi a necessidade de adotar um nome mais simples e curto para a tela do celular, que estivesse livre entre os aplicativos católicos e que guardasse uma harmonia profunda com o propósito da ferramenta. Foi assim que cheguei a Eleison, mantendo o Caminho de Reconciliação como o subtítulo permanente e a própria alma do projeto.

Na Santa Missa, logo no início da celebração, a Igreja nos convida ao Ato Penitencial. É o momento em que silenciamos o coração, reconhecemos as nossas fraquezas e elevamos juntos a mais antiga súplica litúrgica do cristianismo: Kyrie, eleison (Senhor, tende piedade). Uma prece tão preciosa que o rito romano fez questão de preservar em grego, a língua original do Novo Testamento, ao longo de séculos de história.

Rezar eleison não é um ato de desespero nem de autoflagelação pela culpa. No Evangelho, a palavra grega eleos (ἔλεος) expressa a misericórdia viva de Deus — um amor compassivo e entranhado que não se cansa de acolher, curar e restaurar a dignidade do filho que retorna para casa. Quando dizemos "tende piedade", estamos na verdade proclamando a nossa confiança na bondade inesgotável do Senhor, que sempre nos perdoa e nos estende a mão para recomeçar.

É exatamente essa a finalidade do Eleison: facilitar a busca por horários de Confissão em São Paulo, ajudar na preparação serena para o sacramento através do exame de consciência e reunir orientações claras para quem deseja se aproximar do confessionário. Este projeto é leigo, independente e não substitui a orientação pastoral de um sacerdote, a vida sacramental ou a comunidade paroquial. Sua vocação é ser um auxílio humilde para que a súplica interior por reconciliação encontre um caminho concreto, uma igreja de portas abertas e o acolhimento do sacramento.

Uma missão

Não sei até onde o Eleison poderá chegar. Não tenho grandes pretensões nem a intenção de oferecer respostas para todas as perguntas.

Se esta ferramenta ajudar uma única pessoa a encontrar um confessionário, receber o sacramento e descobrir o caminho de volta à fé, já terei um motivo enorme para agradecer a Deus por ter me permitido criá-la.

Espero, sinceramente, que o conteúdo que reuni aqui seja útil na sua caminhada rumo à santidade.

Que Deus o acompanhe, ilumine seus passos e lhe conceda a graça de experimentar, cada vez mais profundamente, a Sua misericórdia.

Paz e bem.

Leandro Rodrigues Gonçalves

Idealizador e mantenedor do Eleison · Caminho de Reconciliação

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